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Marlene Vieira Santos - 38 anos - Catadora de Lixo em Salinas MG


Marlene é o exemplo de mulher empreendedora, apesar de toda a dificuldade da vida no semi-arido mineiro. Moradora da pequena cidade mineira de Curral de Dentro, Marlene sofreu todo tipo de violência e humilhações em um casamento de 15 anos. Ajudou a construir o patrimônio do marido, e esperou, até que seus filhos crescessem e saiu de casa, sem nada, deixando pra trás os 5 filhos, por não ter condições de cuidá-los. Veio para Salinas, conseguiu a doação de um colchonete de menos de 2 cm de altura (que guarda até hoje), e nele dormiu por 8 meses. A única coisa que Marlene sabia fazer era comprar e vender ferro velho, profissão do ex marido, que ela ajudava.

Marlene então, logo após sua chegada, foi para o lixão de Salinas, onde separa o lixo que dá para vender, como plástico, ferro, vidro, e ainda tira muita coisa de lá. O lixão de Salinas fica a cerca de 14 km da casa de Marlene, e o município produz 8 caminhões de lixo por dia. Por diversas vezes Marlene foi a pé, pois era difícil encontrar carona, até mesmo dos caminhões de lixo, ela ainda aproveitava para colher lenha pelo caminho. Sua casa é mobiliada e decorada com o que tira do lixo, os lençóis e a maioria de suas roupas e sapatos também são tirados do lixo. O que não serve para ela, ela leva para a beira do rio, lava, e dá para outras pessoas. Hoje Marlene diminuiu suas idas ao lixão, ela sofre de Doença de Chagas, adquirido após a picado de barbeiro, que causa alterações no coração, e ás vezes fica muito cansada. Teve também leichmaniose, (conhecida popularmente como Calazar), e recentemente sofreu um acidente de bicicleta, e tem problemas no pé esquerdo. Recentemente, um dos filhos de Marlene, de apenas 15 anos, veio morar com ela em Salinas, com a mulher, de 14 anos, e um filho de pouco menos de 1 ano.

Na casa de Marlene, apenas um fogão de lenha no fundo do quintal sem local semi-aberto. Se chovia, não tinha como fazer a comida. Marlene mudou de casa, e atualmente, o único fogão da casa é o CleanCook, que fica sobre um engradado no chão(tirado do lixo). Para cozinhar, é necessário ficar agachada. A vantagem para Marlene, é poder comprar o álcool em pequenas quantidades, visto que não tem renda fixa. Ela estima que conseguiu economizar cerca de 1 hora por dia, usando o CleanCook. Hoje Marlene vive com um companheiro, que trabalha com ela. E ainda dá emprego para mais 3 pessoas, sendo que 2 moram ao lado do lixão de Salinas.

Marlene apresentou uma proposta para o prefeito de Salinas, para implantar coleta seletiva no município, uma usina de reciclagem, e uma fábrica de adubo orgânico, podendo gerar emprego para cerca de 20 pessoas, sendo necessário como maquinário, apenas uma esteira e uma prensa. Este é o exemplo de diferença que o Projeto Gaia pode fazer na vida de muitos mineiros, melhorando a qualidade de vida das pessoas, podendo se dedicar mais a seus projetos de vida.

Lixão de onde Marlene tira seu sustento
Lixão de onde Marlene tira seu sustento
Detalhe da casa da Marlene
Detalhe da casa da Marlene
Uso do fogão
Uso do fogão